quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sal e Suor


A gema cai por terra,

Quebrando vidrilhos,

Esfacelando buris,

No Cristo da serra.

O sangue dos rubis,

Que o clarão descerra,

Molha de brilhos,

Os olhos vermelhos,

Dos Filhos da Terra!

Mãos esfarinham.

Caras abocanham.

Mãos acarinham.

Bocas assanham!

De mil maneiras,

À caça da fama,

Urdiu-se besteiras,

Nos colos das camas.

Depois das cadeiras,

Os peitos das amas,

Adormeceram soneiras,

Em orgias romanas!

Atravesso o postigo.

Ilumino a janela.

Sinto o castigo

Abaixo do umbigo.

Ardo em procela!

O raio seco estala,

A língua de água,

Que abate a fala,

No seio da frágua!

Recolho preciosamente

A semente do amor,

Compondo no vitral da mente,

O calvário de sal e suor!


Maria Luiza Soares Fernandes 20-09-1983

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