quarta-feira, 21 de julho de 2010

Eu amava o Caetano


Não sabe o mundo, mas eu,
Do grande amor em mim,

Sempre a que mais ardeu,
No fogo sacro que se ergueu,

No fundo abismo que trago em mim!


Eu o amava mais que o próprio Deus
Porque o sentia mais que o Divino.

Na voz de homem destes meus

Caminhos tortos que é meu destino,

Ardo a febre de desejo tigrino.


Estás em mim como o pensamento,

Como meu sangue e meu absinto.

Estrela muda do meu firmamento,

Verdade pura a quem nunca minto!

Só o ter-te é ao meu sofrimento.

Quero-te, oh flor da alma em sonho!

Padeci de desejos vis e tão sublimes,

Sei rir qual louca um riso tristonho...

À lágrima, porém, tudo enfim redimes!

Quis remir os meus desejos à hora,

Que senti fundo o corpo despertado.

E a cada beijo que atiravas fora,

Morreu em mim à dor do meu pecado.

E a solidão por ti o amor chora!

Quero você, amo a ti, desejei-te, mas!

Mas nunca a vida terá este sentido.

Loucura minha, paixão do céu entristecido,
Por não ter provado o gosto teu jamais!

Assim, amei-te em paz do gesto dolorido!

E se seguires adiante nesta tua vida,

Ao lado de outra que te completa,

Morrerei de ciúmes e dor embrutecida,

Como dríade ferida por tua seta.

Como te amei morrerei perdida.


Maria Luiza Soares Fernandes

Nenhum comentário:

Postar um comentário