Quanta dor,
neste pequeno
planeta da cor
de químico veneno...
Quanto ritual
pelo Natal,
pela Ceia Pascal,
pelo Fulano de Tal...
Quanta correria,
pela avenida,
por quinquilharia,
que é a vida...
Quanta florzinha,
enfeitando caminho,
quanta criancinha,
morrendo em espinho...
Quanta mercadoria
fina e a granel.
Quanto anel,
de vidraria...
Quanta humanidade,
despovoada.
Quanta cidade,
mal amada...
Quanto amor,
gritando em vão:
- Oh, meu Senhor,
dá-me a mão...
Maria Luiza Soares Fernandes
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