segunda-feira, 21 de junho de 2010

Oh, Meu Senhor!


Quanta dor,

neste pequeno

planeta da cor

de químico veneno...

Quanto ritual

pelo Natal,

pela Ceia Pascal,

pelo Fulano de Tal...

Quanta correria,

pela avenida,

por quinquilharia,

que é a vida...

Quanta florzinha,

enfeitando caminho,

quanta criancinha,

morrendo em espinho...

Quanta mercadoria

fina e a granel.

Quanto anel,

de vidraria...

Quanta humanidade,

despovoada.

Quanta cidade,

mal amada...

Quanto amor,

gritando em vão:

- Oh, meu Senhor,

dá-me a mão...


Maria Luiza Soares Fernandes

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